Que cuidados tomar ao contratar a mão de obra para uma reforma ou construção?

Se você pensa em fazer sua obra diretamente com um empreiteiro, sem o gerenciamento ou acompanhamento de um profissional da área, como um engenheiro ou arquiteto, existem alguns cuidados que devem ser tomados, seja para obras maiores, como a reforma inteira de uma residência como para obras pequenas como uma reforma de um banheiro.

1. Busque referências – Quem te indicou o trabalhador? Se você o encontrou através de uma pessoa pouco conhecida ou outra maneira qualquer, vale a pena pedir para visitar algum trabalho que ele tenha realizado, e talvez conversar com algum antigo empregador em busca de referências. Se não há referência nenhuma, desconfie. Existem muitos “faz-tudo” no mercado que na verdade não fazem nada.

2. Tenha um projeto – Claro que a necessidade do projeto varia muito em relação ao tamanho da obra. A recomendação é sempre ter um projeto em mãos, ainda que algo simplificado. O projeto, quando anexado ao contrato, tem um valor legal, serve como instrução para que você não tenha de ficar na obra o tempo todo tirando dúvidas e ainda ajuda a prever custos e se preparar para a compra de materiais. Sem contar que o resultado final tende a ser muito melhor se pensado com cuidado no papel antes!

3. Reveja se tudo está contemplado - Pense cuidadosamente se todos os pormenores que deseja estão no projeto e no acerto que fez com o encarregado da obra. Preste especial atenção a todos os pontos elétricos, som, alarme, hidráulica e outros – quando são esquecidos é uma grande complicação para realizá-los mais tarde. E um desperdício de dinheiro.

4. Combine prazos – É importante muita clareza nesse aspecto. Combine com o encarregado “x” tempo para a obra e um adicional de “y” tempo por conta de chuvas ou outros problemas, se a sua obra for do tipo que sofre essa interferência. Se prepare intimamente para atrasos, pois infelizmente eles são comuns, para que não atrapalhe muito seus planos de ocupação. Mas tenha um limite para isso.

5. Faça um contrato – A complexidade desse contrato varia conforme a complexidade da obra. Mas independente do tamanho e complexidade, é sempre muito importante ter tudo no papel: prazos, forma de pagamento, descrição das atividades a serem realizadas, multa (se for o caso) e forma de pagamento. Deixe sempre ao menos uma parcela para ser paga só depois da entrega e aceite da obra. Anexe o projeto ao contrato, assim você terá tudo ainda mais claro numa eventual confrontação.

6. Relação de material – Essa questão parece secundária, mas é responsável por muitos dos atrasos e discussões durante uma obra. Se o seu encarregado da obra não for comprar os materiais, veja com ele uma extensa lista do que tem de ser encomendado. Combine datas de encomendas e um prazo para que possa providenciar as compras. Se o encarregado aparecer com uma lista de material pequena, o inquira profundamente obre as próximas etapas, para verificar se realmente não são necessários mais itens. Em geral sempre há mais compras a serem feitas, e quanto maiores são as compras, maior seu poder de barganha e menos trabalho no dia a dia da obra.

7. Proteções, entulhos, fretes e outros – Essas questões costumam ser esquecidas, ou deixadas para serem conversadas apenas durante a obra. Converse cuidadosamente com o seu encarregado sobre essas questões. Quem vai pagar a caçamba? Quem vai pedir a troca? Ela pode ficar estacionada na frente da obra? O encarregado vai colocar as proteções no piso depois de realizá-lo? De que tipo?

8. Seguro de obra - Verifique, caso a obra não tenha um vigia e seja vulnerável a assaltos, se não vale a pena fazer um seguro para proteger o seu material. Há momentos, dependendo da obra, que há um valor alto em material estacionado. Um assalto pode atrapalhar todo o seu orçamento e ainda gerar grande mal estar na obra, desconfianças entre os trabalhadores e cliente, e assim por diante. Geralmente vale a pena fazer um seguro se sua obra tem um porte médio.

9. Entenda a metodologia - Antes de efetivamente começarem os trabalhos, tente entender, através de conversas com o encarregado de sua obra, como as coisas serão feitas, quais procedimentos e metodologias serão aplicadas. Pergunte até entender tudo, essa é uma forma de torná-lo mais capaz de controlar o andamento dos trabalhos posteriormente. Essa conversa também será positiva para o encarregado, já que o obrigará a raciocinar sobre todo o processo do trabalho.

10. Acompanhe o trabalho – Faça um acompanhamento de perto durante a obra, mas não “sufoque” o trabalhador. Tente dar espaço para ele fazer seu trabalho. Elogie sempre que for pertinente para incentivá-lo a dar seu melhor. Caso a obra esteja atrasada exija firmemente resultados, mas cuidado para evitar deixar um clima ruim ao ponto dos trabalhadores pensarem em deixar a obra.

11. Faça um recebimento de obra - Quando o trabalho terminar faça um recebimento formal da obra com o encarregado. Esse recebimento, também conhecido como aceite de obra, é um procedimento muito importante. Veja todos os pormenores, cheque se todos os pontos elétricos, hidráulicos e demais sistemas funcionam corretamente. Depois desse recebimento, acerte a parcela de retenção conforme o contrato. Caso esteja satisfeito, dependendo do tamanho da obra, uma caixinha é sempre uma boa opção e é mais fácil que o trabalhador volte para resolver qualquer probleminha com essa demonstração de generosidade e satisfação.

A maior parte da obra gera pequenos problemas e algumas preocupações. A postura com que você acompanha esse processo é muitas vezes fundamental e pode fazer a diferença entre ver o seu sonho ser erguido ou ver tudo se transformar num pesadelo.

Caso os problemas estejam incomodando ao ponto de você estar infeliz, está na hora de chamar um profissional da área para interceder. Boa sorte com a sua obra e tente se divertir!

Fonte: Fórum da Construção 

Governo estuda aquecer economia com crédito, diz fonte
Notas de real; dinheiro

Notas de real: a presidente Dilma está analisando novas medidas de estímulos para retomar a economia que caminha para a pior recessão da história recente

 O governo brasileiro pode pressionar os bancos públicos a usar bilhões de reais recentemente obtidos do governo para aumentar o crédito aos consumidores e empresas sem pressionar as contas públicas, disse à Reuters uma autoridade governamental com conhecimento da estratégia econômica.

A presidente Dilma Rousseff está analisando novas medidas de estímulos para retomar a economia que caminha para a pior recessão da história recente.

Após restringir o crédito e cortar os gastos no início do segundo mandato no ano passado, a presidente Dilma, cuja popularidade está perto das mínimas, agora trabalha para mudar o sentimento dos empresários e aumentar a confiança.

“O governo não pensa em inundar o mercado com crédito. Queremos dar um sinal aos agentes econômicos de que vamos trabalhar para voltar à estabilidade, à normalidade”, disse a fonte, que pediu anonimato por não poder falar publicamente sobre as discussões.

Na semana passada, o governo pagou quase 57 bilhões de reais ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), em dívidas referentes às chamadas pedaladas fiscais realizadas no primeiro mandato da presidente Dilma.

“Parte do dinheiro das pedaladas pode ser utilizada para abrir novas linhas de credito com taxas de mercado”, disse a fonte, acrescentando que o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, continua analisando as medidas. A perspectiva de novos estímulos gerou receios entre os investidores de que a presidente Dilma vai retomar as políticas expansionistas de seu primeiro mandato que levaram ao rombo nas contas públicas e à perda do grau de investimento do país.

Isso colocaria o governo em rota de colisão com o Banco Central, que vem sinalizando uma alta de juros em breve para conter a alta da inflação.

“O governo está dando mensagens conflitantes”, disse o economista-sênior do banco de investimentos Haitong, Flavio Serrano. “É uma medida completamente contra a política monetária atual. É uma ação que vai na contramão do que estava sendo feito”.

O BC sofre pressão crescente do PT para cortar a taxa básica de juros, atualmente em 14,25 por cento, entre as mais altas do mundo.

Assessores da presidência disseram à Reuters que o governo respeita a autonomia operacional do BC e não vai pressionar os diretores a manter os juros para evitar prejuízos à economia.

Fonte: Exame

 

Construção civil alinha propostas para retomada da economia

A capacidade da construção civil de apresentar respostas rápidas aos estímulos que lhe são dirigidos é uma das explicações para a prioridade que o governo confere ao setor no esforço de retomada do nível de atividade econômica neste início de ano. Na conversa que teve com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no final do ano passado, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, discutiu uma agenda de propostas com esse objetivo. O ponto de partida é a quitação de cerca de R$ 6 bilhões de débitos pendentes do governo com empresas do setor.

A construção civil representa em torno de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o que significa dizer que uma boa parte da retração de 3,6% estimada para o ano passado está relacionada à perda de dinamismo do setor. Ainda em 2015, foram eliminados cerca de 500 mil postos de trabalho nas empresas de construção civil. Na prática, esse declínio representou “menos compras de automóveis, de geladeiras e de outros bens de consumo que poderiam ser adquiridos se os trabalhadores do setor estivessem empregados”, comenta Martins.

Entre as propostas discutidas pelo presidente da entidade com o governo está o combate à informalidade no setor da construção, que subtrai receitas tributárias e previdenciárias do poder público. De acordo com as estimativas da Cbic, uma parcela de 54% da mão de obra na construção civil está empregada em condições de informalidade, à margem da legislação trabalhista. Em situações de crise econômica, como a atual, a informalidade tende a se ampliar, caso o governo não fiscalize e combata essas práticas irregulares.

Uma preocupação central da entidade representativa do setor é a identificação de novas fontes de recursos para o financiamento imobiliário. A intenção é buscar alternativas à caderneta de poupança, tradicional origem do crédito da área imobiliária no Brasil. Na conversa que teve com o blog, o presidente da Cbic não chegou a especificar ideias para suprir a escassez de recursos para o financiamento imobiliário, sob o argumento de que se trata de uma avaliação própria do governo, pelas implicações em questões macroeconômicas e na política monetária.

A perda de competitividade dos depósitos em poupança frente a outras opções mais rentáveis de aplicação financeira é uma das explicações para o esvaziamento das cadernetas nos últimos meses. Sem contar o impacto da recessão, que leva os poupadores a sacar os recursos que acumularam para fazer frente a situações adversas, como o desemprego e a queda da renda familiar. A conclusão é que, sem a indicação de fontes alternativas de recursos, dificilmente será possível reativar o crédito imobiliário, umas das chaves para o estímulo à construção civil no país.

Parcerias
O presidente da Cbic revela entusiasmo especial quando fala do incentivo às Parcerias Público-Privada (PPP) e às concessões do setor público à iniciativa privada. Ele ressalva que as possibilidades abertas por esses instrumentos não se resumem aos aeroportos ou rodovias – obras normalmente associadas a essas modalidades. Há todo um universo no âmbito das prefeituras municipais que também poderia ser alvo das PPPs, como as obras de saneamento, de construção de centros administrativos, postos de saúde, escolas, entre outras ações.

– O Estado poderia regular essas parcerias, estabelecer cláusulas de desempenho e fornecer estruturas técnicas para que as prefeituras pudessem fazer projetos de qualidade – argumenta Martins.

Assim como a construção civil foi o setor que primeiro sentiu o impacto da recessão iniciada no ano passado, com a elevação rápida dos níveis de desemprego na área, o movimento de recuperação também pode ser ágil, se forem adotadas as medidas adequadas para o estímulo à atividade. Ao contrário de outras lideranças empresariais, o presidente da Cbic revela sua preocupação de que o governo não abra mão do rigor fiscal sob o pretexto de estimular a retomada da economia.

– Não queremos um voo de galinha, que se sustente apenas no curto prazo. Se as medidas forem adequadas, a economia poderá se reativar e permitir que o governo volte a aumentar a arrecadação de impostos. Isso criaria novamente as condições para a concessão de estímulos com recursos públicos, mas de maneira sustentável – afirma.

Como integrante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado Conselhão, ele terá a oportunidade de discutir nesse fórum as medidas prometidas pelo governo para a reativação da economia. O mais importante, na sua visão, é que o Estado abra o caminho para que a iniciativa privada possa ocupar espaços mais amplos e de forma mais eficiente. Em termos concretos, as parcerias entre o poder público e o setor privado poderiam atenuar o inchaço do quadro de funcionários dos governos, em suas três instâncias.

Em épocas de bonança, como a que prevaleceu até 2014, as administrações públicas no Brasil estão habituadas a inflar o quadro de pessoal. Mas, quando o cenário adverso prevalece, não ocorre o enxugamento desses excessos, mesmo que os cofres públicos não tenham mais condições de sustentá-los. Nas parcerias, a iniciativa privada coloca em prática um ciclo de racionalidade, expandindo e reduzindo o número de empregados de acordo com o ritmo das obras e a demanda por serviços. O resultado final é uma dose menor de sacrifícios para os contribuintes.

Por fim, o presidente da Cbic comenta a conexão evidente entre as medidas de retomada da economia planejadas pelo governo e as condições políticas que cercam a presidente Dilma Rousseff e o destino de seu mandato. A entidade que preside não assume posições partidárias e pensa que o ideal é aproveitar os fóruns de discussão abertos pelo Palácio do Planalto para viabilizar medidas que possam beneficiar toda a sociedade. Na prática, com impeachment ou não, trata-se de evitar, pelo menos, que a situação econômica continue a se deteriorar.

Fonte: G1